segunda-feira, 13 de junho de 2011

bailado contemporâneo.

balcone.

O ritmo do bailado contemporâneo foi substituído por um sussurro que transmitia a sensação de que aquilo que o rápido trautear - da provavelmente mais romântica língua do mundo  - emitia era um importante segredo. Aproximei-me cuidadosamente do parapeito da janela, o espelho da antiga e bonita cómoda que ocupa a parede esquerda da sala da vizinha revelou-me a face dela e as costas dele. E como a linguagem corporal pode dizer tanto! Não esqueço também o sussurrar, ajuda-me a compor as coisas, no mesmo instante em que o professor de dança pede aos alunos que se apressem a retornar às suas posições, o ritmo aumenta, num crescente, como quem espera o clímax final da acção, as pausas na música são cada vez mais curtas, menos espaçadas, as palavras saem a um ritmo desenfreado e bloqueiam-me a compreensão. Abstraio-me completamente deles e dou por mim a sentir os pensamentos ao ritmo da música, desiquilibro-me, a música acaba, eles já não estão.

Quem eram?

Aubergine

Sem comentários: