A opção tomada foi a pior
possível. Recusar um jantar, onde sabia que não resistiria a um beijo, resultou
naquilo que mais temia. Ele deixara de lutar, afinal tudo aquilo que parecia e
todos os pequenos momentos que já tinham partilhado mais não eram do que uma
paixoneta de Verão. No meio de tantos medos e barreiras criadas, um dos maiores
é verdadeiro. Não era imaginação sua, os monstros debaixo da cama conseguiram
fugir. Resta-lhe voltar à rotina, pedir para que o tempo passe rápido e se
encontrem todos de novo num futuro próximo. A vida dos últimos tempos foi a
mais intensa de sempre, desde que se lembra, e não querer voltar à realidade
faz com que o processo seja ainda mais difícil. Ver fotografias, ler textos,
guardar bilhetes, vai continuar a fazê-lo, arrependendo-se por não ter ido
jantar naquela noite quente de Verão. Que mais poderia vir daquele jantar? Foi
culpa sua ou aquilo não era mesmo suficientemente forte para ser alguma coisa?
Era culpa sua, definitivamente.
E se depois do jantar se seguiu um café?
Aubergine*
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