Abre um pouco mais essa janela, deixa que a maresia te tome conta das rugas que os anos te ofereceram, tens a pele queimada pelo sol desde que me lembro e agora insistes em contrariar a tua vontade ficando aí, fechado.
As cicatrizes das tuas mãos contam as mais bonitas estórias do mar, o cheiro dos calções que há anos teimavas em deixar na varanda depois de um grande abraço sujo e com muito amor, perdeu-se algures entre um pôr-do-sol tardio e um jantar por volta da uma da manhã. Tudo isto me parece demasiado triste e os teus olhos já não têm aquele brilho que herdei à nascença.
Acordo, sobressaltada, felizmente tudo continua - assim espero - exactamente igual à minha espera, os abraços no final de um dia quente e cansativo de verão, os sorrisos pela manhã e todo o amor que tens por mim.
Aubergine*
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