domingo, 31 de julho de 2011

O vosso jogo


Sou de jogos, mas não sou desses vossos jogos. Onde me querem retirar o sentir, o vivido, para me inundarem de racionalismo. Renuncio a tudo isso, sempre fui de sentir e viver, talvez por isso, nos meus jogos de palavras e olhares não vos consiga explicar ao certo o que foi tudo isto. Perguntem-lhes a eles, a eles que me fizeram destruir barreiras de nacionalidades, línguas e pensamentos. Somos todos do mesmo, vamos todos – inevitavelmente - para o mesmo, e vocês? Vão continuar inundados de racionalismo para que não vos doa tanto nos momentos de ausência? A mim dói-me, e sabem porque não quero que deixe de doer? Porque enquanto doer sei que senti, que vivi. A vossa racionalidade aprendo-a nos livros. Entre todos os jogos em que me querem fazer entrar o da racionalidade é o mais seguro, mas o menos proveitoso. Tirem as medidas, cortem nas regras, passem os limites, mas não pensem “devia ter feito isto”. Façam-no nem que seja só por uma semana, depois voltem e tentem jogar à racionalidade, vão perceber o quão impossível vos vai soar. Eu estou aqui agora, não sei por quanto tempo, vocês?

3 comentários:

agatxigibaba disse...

muito bem dito, essa mania de racionalizar tudo não leva a sítios melhores. enfim, é tudo uma questão de medida, porque certezas na vida só encontrei duas: a morte e a incerteza - e ambas habitam em toda a parte.

Danielo Menelo disse...

Me encantan tus textos, cómo escribes

Aubergine. disse...

Joana: e se ficarmos reféns delas passamos ao lado daquilo que nos dão à nascença a "vida" :)

Danielo: hai capito? grande! muchas gracias. Un beso!