Se descontextualizarem uma verdade absoluta o que têm? Uma dúvida. A vossa vida já é só uma rotina, preenchida como as palavras cruzadas das gastas revistas dessas mesas de café que frequentam. É tudo demasiado habitual para que consigam pensar em dispensar o café com duas pedras de gelo. Se um dia destes vos servem um café com leite? Pensar em quebrar-vos a rotina é como antever uma tragédia. Deixam que os receios que têm relativamente à mudança vos façam ser mais uma quadrícula do quebra-cabeças. Quebra-cabeças esse que se encontra nas últimas páginas, aquelas que já ninguém lê porque se sabe que basta inverter a revista para ter a solução ao puzzle, é como o vosso imaculado respeito à rotina. Não a quebram porque se colocam numa posição demasiado vulnerável: perder a solução. Lamento dizer-vos que na verdade não a têm, construíram esse porto de abrigo e vivem fechadas nele, tal e qual um ciclo vicioso. É óbvio que se não mudarem dificilmente as coisas mudam por si só. A cadeira de madeira onde se sentam, na tão vossa mesa ao fundo do café, vai ser sempre de madeira. Mas e se o gelo para o vosso café acabar? Ficam à espera que a próxima edição saia com a solução do quebra-cabeças da anterior? Tenho a certeza que sim. É para vocês demasiado aterrador pensar sequer em criar a solução. Já perderam as verdades absolutas que tinham quando iniciaram a folhear a revista? Se ainda não podemos pensar em mudar a decoração do espaço. Quem sabe até deixar de ter revistas à disposição dos clientes. É tudo uma questão de contexto.
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