quarta-feira, 3 de agosto de 2011

o livro da mesa ao canto

Sempre preferi pessoas que lêem livros às pessoas que folheiam revistas, ultimamente tenho visto os habituais óculos do senhor da mesa ao fundo a deixarem transparecer mais facilmente o seu olhar cansado livro após livro. Pergunto-me se não terá vontade de substituir os livros pelas revistas, nem que seja só por umas horas. E nisto pouso o lápis de carvão e reparo que nos últimos rascunhos me questiono demasiado, ao mesmo tempo que tenho por base preferências e opções egoístas. Caio numa torrente de palavras erróneas e preconceitosas. E se encarar só o olhar cansado do senhor como uma porta para toda a experiência de vida e sabedoria que ele transporta passo após passo? Mais uma questão, caí de novo. O condicional permite-me mais do que uma opção, pelo contrário partir de preferências e preconceitos só limita a minha existência por aqui. Posso pôr de parte aquilo em que tenho vindo a basear as minhas escolhas e tentar lidar com o resultado. Se é que as escolhas sou realmente eu que as faço, ou se me limito a aceitar as coisas tal como elas são. No máximo posso dizer que dou mais importância a umas em detrimento de outras. Categorizamos tudo de uma forma ridiculamente espontânea e assustadora. Não me vejo como excepção à regra, sou fruto da sociedade, com vícios, manias, crenças, ideias. Impostas, criadas, as melhores são sempre as ficcionadas é a elas que dou aso sem que ninguém me consiga impor limites. A minha imaginação controlo eu, ao contrário daquilo que o senhor da mesa do fundo escolheu ler para esta semana, volto a pegar no lápis a carvão e encaro o condicional como a melhor opção.

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